sexta-feira, julho 14, 2006

O Retorno da Fantasminha Camarada

Quem é vivo sempre aparece. Aqui no morte, os fantasmas de vez em quando também dão o ar da graça... Depois da ausência – alguns assuntos mal-resolvidos, Copa do mundo, fim de semestre, sabe como é – decidi fazer-me presente. Ou fazer de conta. Não que eu tenha recebido qualquer pressão. Minhas colegas de blog, muito delicadas, jamais fariam ameaças do tipo “amanhã até o meio-dia ou a maldição dos mortos-vivos cairá sobre tua casa”...
Im-pressões à parte, volto para contar que estou lendo um clássico do Kafka, O Processo. Ainda não terminei, mas a história é sobre um cara que por razões desconhecidas (para ele e para o leitor) é preso, julgado e condenado por um misterioso tribunal. O livro é de uma coleção chamada “A obra prima de cada autor” e vem com um prefácio de Torrieri Guimarães (não, também não sei quem é o cara) que fala sobre autor e a produção da obra. Uma grande idéia.
E foi lendo este trecho do livro que descobri que Franz Kafka foi um sujeito extremamente perturbado, com um mal-resolvido relacionamento com seu pai, que o marcou pelo resto da vida. Para não me alongar, basicamente o pai dele era um grande homem de negócios, forte, articulado, enfim, um exemplo de homem com H maiúsculo e o Franz (já estamos ínitmos), um carinha franzino, sonhador, tímido e sem o menor talento para fazer dinheiro. Ele passou o resto da vida atormentado, sentindo-se incapaz de qualquer coisa que não fosse o fracasso. Desmanchou três noivados, morreu consumido pela tuberculose, não sem antes tentar destruir suas próprias obras, achando que não tinham valor. O sofrimento do escritor está estampado em suas obras, a literatura era a válvula de escape para aquela alma atormentada.
Não sou a primeira e certamente não serei a última a me perguntar até que ponto a dor é condição para a genialidade na arte. Brincar de “e se...” é um exercício interessante mas pouco produtivo, porque a verdade é que nunca saberemos. E se Kafka tivesse um pai amoroso, casasse, herdasse as fábricas da família e fosse mais um desconhecido administrador europeu dos séculos passados? Não que o pai dele tenha “culpa” ou, pior, “mérito” (até porque a gente sabe que a culpa é sempre da mãe!).
Exageros à parte, uma ou duas pedras no caminho não fazem mal a ninguém. Mas que, de preferência, sejam das pequenininhas, fáceis de chutar. Mas, se tudo der errado na vida, ainda podemos ter a esperança que amigos encontrem nossos desabafos, publiquem, e nos transformem em gênios da litaratura.
(Portanto, se eu for antes... já sabem!)

3 comentários:

Trevas disse...

Mas valeu a pena esperar tanto tempo por um texto assim! Ainda bem que a gente te deu o espaço e o tempo que tu precisava para encontrar a inspiração que andava por ai... perdida em devaneios.
Eu acho que fazer pressão é um absurdo!!!!!

E se eu morrer anbes de vocês atendam o meu pedido e deletem tudo o que eu escrevi, please!

Tita Aragón disse...

Nunca pensei que uma pressãozinha básica fosse surtir um efeito tão esplendoroso!!! Bem-vinda de volta ao Morte, Fantasminha Camarada!

Sombria disse...

A real é que eu funciono melhor sob pressão!!! hehehehhe