segunda-feira, maio 08, 2006

Bonecas Russas




Quando vi pela primeira vez Albergue Espanhol tive a certeza de que o diretor Cédric Klapisch tinha secretamente lido algum dos meus diários da época imediatamente pós-faculdade (sim, eu tinha umas agendas nas quais além de escrever "marcar entrevista de emprego", tinha uns pensamentos soltos sobre o mundo) e feito um filme sobre o meu sonho de fazer intercâmbio. E o melhor, o cara acertou inclusive a minha cidade fetiche: Barcelona. Num breve resumo para quem não viu Albergue Espanhol, a história gira em torno do personagem de Xavier, um francês que não sabe o que fazer após de formar (nossa, me lembra alguém?!?!?!?) e recebe o conselho de um amigo do pai e pretenso empregador de fazer uma especialização na Espanha. A partir daí, vivemos com Xavier a dificuldade de se relacionar com os outros, sejam eles amigos, colegas de quarto ou amores bem ou mal resolvidos.
Divertido, o filme tem um ritmo e uma linguagem ágil. E termina com uma promessa, a qual não vou revelar porque – diferente da Penkala – odeio entregar de bandeja os finais das películas. Só adianto que adoro fins abertos e infelizes. Porque a arte também tem que imitar a vida.
Mas, eis que o tempo passa e o senhor Cédric resolve nos brindar com a continuação da história. Afinal, que raios teria acontecido com Xavier? Bonecas Russas, lançado neste ano, mostra o cara chegando aos 30 – meu deus quanta identificação! – ainda sem saber o que fazer da vida, infeliz com as escolhas, preso a relacionamentos vazios e ainda sem a coragem de ser o escritor que almejava.
Novamente, Xavier fica entre idas e vindas, mas desta fez o roteiro turístico vai de Paris para Londres e de lá para a Rússia, onde um casamento reúne todos os ex-moradores do apartamento de Barcelona. O melhor do filme, que um dia será um daqueles clássicos da sessão da tarde – é a metáfora que o diretor faz quando trata os relacionamentos como Bonecas Russas, aquelas que vão se abrindo e revelando sempre outra boneca menor. E a teoria não se aplica apenas para os amores. Estamos sempre encontrando pessoas novas com quem compartilhamos idéias, colegas de trabalho que viram amizades mesmo à distância e paixões por pessoas ou ideais que também ficam para traz quando encontramos uma nova boneca pela frente. Algumas pessoas e histórias voltam a mente apenas como boas (ou péssimas) recordações, outras nos acompanham pra sempre. Mas, de novo a pergunta do Xavier fica no ar sem resposta, pois não há respostas ou verdades definitivas: quando sabemos que encontramos a pessoa certa, a última boneca da história?????

3 comentários:

Tita Aragón disse...

Caracoles!!! Acho que eu preciso sair de dentro de uma das bonecas russas em que eu ando enfiada... Muito bom este post! Mexeu com minhas estranhas entranhas filosóficas.

Ana Paula disse...

mas que barbaridade
me citando e avacalhando com minha imagem profissional.
bom, quanto aos filmes, não gostei muito do primeiro e não vi o segundo. aliás, eu não iria pra Barcelona. mas se te vale de ALGUM CONSOLO, eu adoro as Babuskas, ok? não o filme, a boneca.

Cavernosa disse...

vc disse tudo!
achei totalmente demais.
como disse a tita, agora estou aqui, refletindo sobre as memórias boas da minha vida e se por um acaso a boneca verdadeira já esteve na mida vida. Será que eu deixei pra trás?