quinta-feira, maio 03, 2007

Sessão da tarde

Há pouco mais de um mês combinei de reencontrar um amigo que não via há tempos. Marcamos no bar de sempre, ali na Cidade Baixa, para umas cevas e muita conversa. Afinal ele vinha de uma temporada em Paris, onde ele diz que foi aprender a tatuar. Eu acho que ele queria mesmo era aprender a falar fazendo beicinho. Enfim! Claro que eu cheguei na hora e ele, com aquela calma irritante e habitual, apareceu quase uma hora depois. Ainda bem que tinha chopp gelado e polenta frita no seu Nicus.
Depois da raiva e da vontade de estrangulá-lo passar, lá veio ele cheio de novidades e de uma tranquilidade sobre o que ele queria para o futuro que me deixou até um pouco desconcertada. Pô, aquele era o pior momento para ouvir de outra pessoa o quanto ela estava feliz com o caminho que tinha escolhido. Sim, egoísmo puro, que sumiu depois da terceira cerveja. Logo naquele instante, quando eu ainda tentava digerir o fato de terem puxado o tapete de deixado dos meus pés. E só tinha sobrado o pó, a sujeira e eu.
Enquanto eu finalmente tinha refeito as pazes com o jornalismo, ele veio radical e rompeu com tudo. Fez mais ou menos como recomendou o amigo do até então pacato Tom Cruise em Negócio Arrisco: "Às vezes é preciso dizer Foda-se". E ele disse. E com vontade! Porra, que merda. Quando é que eu também vou ter a coragem de gritar Foda-se pro mundo?Quantos passos para trás, quantos filmes ruins vou ter que rever na sessão da tarde antes de me reencontrar de novo? Se é que eu me encontrei algum dia comigo mesma.
Claro que não precisa ser nada tão radical como fez meu amigo. Jamais largaria tudo, abandonaria o gosto de escrever, por uma casinha no meio do nada. Tá, não é assim tão nada. Segundo ele, é uma praia maravilhosa, cheia de gente com grana e há três horas de São Paulo. Helloouuu, eu ficar sem a selva de pedra, sem internet, sem tevê a cabo, cinema, bares e boemia??? Sinto muito, meu desespero por mudanças não é tão grande assim.
Apenas quero poder voltar ao curso, acertar a rota e acordar sabendo que vou fazer algo que de alguma forma - por mais que me deixe acabada - me faz bem! Por que precisa ser sempre assim, tão difícil, dolorido. Sempre retrocedendo muito para avançar pouco? Talvez eu deva mesmo é seguir o conselho desse meu amigo: "Ô Gapp, relaxa"! Só que não tem como. Eu sou assim! Sempre me destroçando pra depois juntar os caquinhos, colar com superbonder e começar de novo, e de novo, e de novo...

Um comentário:

Tita Aragón disse...

Carol Meyer é a autora daquele texto... não, não é meu alterego!

O Morte e suas angústias está de volta! Quem é morto sempre volta, nem que seja pra puxar os pés dos vivos!