quinta-feira, maio 31, 2007

O país do futebol



O Brasil não poderia ter uma vocação esportiva diferente: o futebol é o retrato deste país. Jogar futebol é fazer milagres com pouquíssimos recursos (que outro esporte impede o uso de membros superiores como este?). É brigar com muitos por muito pouco; é sofrer demais para se conseguir um resultado. Se no vôlei cada ponto significa uma comemoração, no futebol há chances de o torcedor sequer chegar a vibrar. É um jogo latino, de tensão, de sofrimento, de paixão. Porque, quando a bola atinge a rede, o grito que sai é de uma felicidade única. É esporte para quem gosta de barulho, de festa. Para quem sabe que quando não se pode usar as mãos, é preciso inventar com os pés, bater de cabeça e matar no peito. Para quem reduz as contas ao mínimo do salário. É para quem tem jeitinho brasileiro e se joga na frente do juiz quando vê que a jogada está perdida...

Independente da verdadeira origem de cada modalidade, coube aos diferentes povos eleger aquelas em que mais se destaca – ou, às quais é comumente relacionado. Jamais poderia ser nosso o aristocrático e silencioso tênis europeu. Uma quadra espaçosa com apenas duas pessoas brigando por uma bola jamais faria sentido para nossa quadra e bola disputadas por tantos... Tampouco o mecânico jogo de pingue-pongue (se é que se pode chamar isto de esporte!) ou ainda o disciplinado judô dos orientais serviriam para nossa criatividade e ginga. Isto sem falar no irracional futebol americano, que mais parece uma retomada das antigas arenas romanas, na qual vence aquele que usa a força e que mais feridos deixa para trás. Nosso futebol também pode ser violento, mas, ao contrário da versão norte-americana, não é esta a sua finalidade.

E, claro, como o Brasil está longe de ser perfeito, o futebol também é a chance de uma vida melhor para seus jogadores – bem longe daqui. Porque, como muito bem observou um jogador francês durante a copa do mundo do ano passado, enquanto ele passou boa parte da vida estudando além de treinar, os rivais brasileiros passavam seus dias inteiros batendo bola, longe dos bancos escolares... só poderiam ficar bons nisto mesmo.

2 comentários:

Tita Aragón disse...

Pois olha, eu tô começando a achar que eu devia ter nascido homem, me chamado Rrrrrronaldo, e jamais precisar freqüentar outra academia que não fosse a esportiva!

Garanto que as dívidas seriam substituídas por saldos de gol!

Larissa Bohnenberger disse...

Carol, ainda dá pra dar um golpe do baú em um jogador milhonário...
Só não vai ficar grávida, heim? Pq aí já é demais!
Bjs!