quarta-feira, agosto 02, 2006

sem papo

O diálogo já andava difícil. As respostas vinham em monossílabos. Isso quando não eram rebatidas com outras perguntas. Sempre sem respostas. Depois de um tempo... o silêncio. Tentei não me preocupar e tocar a vida como em todos os dias. Quase que mecanicamente.
Acordar.
Trabalhar.
Comer.
Estressar.
Dormir.
Talvez sonhar.
Mas foi impossível. Era só parar de pensar nas coisas práticas e imediatas e lá ia eu em busca de mais conversa. Apenas silêncio.
Acho que cansou de ouvir as mesmas perguntas.
Angústias.
Medos.
Frustrações.
Cansou.
Foi embora.
Minha consciência saiu em busca de mim mesma. E me deixou aqui sozinha com vários pontos de interrogação na mão.

3 comentários:

Sombria disse...

Acho que a tua saiu pra caminhar com a minha. Como também vivo cheia de dúvidas, nem sempre sei quando ela está ou não comigo...
Adorei o texto!

Tita Aragón disse...

Pura poesia!
Muito bom!

Pireca disse...

Eu acho que o velho Mario andou te encoxando...

Lindo demais.