segunda-feira, junho 26, 2006

Chegadas e partidas



Quem ler esse texto (aliás, alguém ai lê esse blog????) vai dizer: - Tchê, essa guria tá com idéia fixa. Mas, a verdade é que ultimamente meu caminho tem me levado a lugares de partidas e chegadas. Só que dessa vez a trilha de pedras douradas me encaminhou para um destino bem mais a minha praia: a rodoviária. Ali estava eu sentada num daqueles bancos frios de madeira que circundam as colunas espalhadas ao longo do caminho que leva até os portões, lendo a Vida Simples do mês (hábito ganho graças a Manu) e pensando para onde iriam todas aquelas pessoas que passavam apressadas por mim. Quais seriam os seus destinos? Quem estaria esperando por elas do outro lado? O que levariam nas malas, mochilas, sacolas ou bolsas? Por que alguém se veste de bota rosa e usa um casaco da mesma cor com pelinhos???
Tapes. Erechim. Passo Fundo. Estrela. Caxias do Sul. Rio Grande. E os ônibus não paravam de chegar e partir, levando ou trazendo ânsias de abraços apertados e beijos estalados. Caras tristes, felizes, ansiosas, cansadas. A rodoviária é, definitivamente, um microcosmo de uma cidade. E eu mesma já fazia parte daquele cenário, pois a bunda já estava ficando quadrada de tanto esperar. Sim, porque eu tinha que colocar em prática o meu lado alemão e ir para lá uma hora antes do ônibus que trazia minha mãe para um findi na capital aportar na cidade.
Enquanto esperava continuava com minhas indagações sem noção, como por exemplo por que será que dá vontade de ficar comendo porcaria na rodoviária? Todos meus vizinhos de banco e até mesmo os passantes mais apurados carregam suas sacolas cheias de salgadinho, bolacha, chocolate e refri.
Eu também tenho um kit viagem que uso, com as devidas atualizações tecnológicas com o passar dos tempos, desde a época pré-adolescente quando contava os dias para as férias chegarem e eu embarcar no ônibus da Pluma e sair correndo de Curitiba de volta para Porto Alegre. Ele contém meu walkman, duas fitas (The Smiths e Cowboy Junkies), batatinha Ruffles, um chocolate básico e água com gás. Meu sabor de viagem exclusivo!
São quase oito da noite, junto meus cacarecos e vou devagar para o Box de chegada dos ônibus da Unesul. Dessa vez não estou angustiada por não poder partir, mas sim feliz pela chegada de alguém. A vida é assim mesmo, uma montanha russa, cheia de altos e baixos. Quem sabe da próxima vez seja chegada a minha hora de partir. Eu continuo aguardando esse momento.

4 comentários:

Tita Aragón disse...

Muito, muito bom! Quem te disse que tu não sabe escrever, ô istrupício?

Lu Thomé disse...

Hey! Eu leio "isso" aqui - hehehe... E com muito prazer... Aliás te digo. Não sei pra onde tu vai. Mas me leva junto?!?!?!? Please... Beijos!

Trevas disse...

Vamô embora, Lu. Sem lenço e sem documento. E, melhor, sem destino.
hehehe bjs

Ana Paula disse...

o jornalismo literário tá fazendo bem, viu? gosto dos teus textos assim. só não me inventa de tomar O VEGETAL. vampará com essa chinelagem.

eu, da parte do meu bloguinho, dou meu palpite visual: o filme CHEGADAS E PARTIDAS é jóia também.

hihohihohihohio