segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A sangue frio


A noite de sábado, após um encontro com amigos em quem tinha dado um cano (que feio!), foi reservada para ver a pré-estréia de Capote. Meu interesse no filme era conhecer um pouco mais sobre esse jornalista que mudou a forma de escrever quando lançou o livro A Sangue Frio, considerada como a primeira obra do chamado jornalismo literário ou new-jornalism, que mistura a ficção com a realidade e acrescentava um tom narrativo diferente, mais literário do que o diário e batido lead (o que, quando, onde, como, quem e por quê?), que aprendemos - nós jornalistas - a fazer nas primeiras aulas da faculdade. Quer dizer, alguns não aprendem nunca, mas isso é outra história.
Outro motivo que me fez sair de casa, apesar da dor de estômago e preguiça, foi saber que o personagem principal - Truman Capote - era interpretado pelo excelente Philip Seymour Hoffman ( um coadjuvante de luxo de filmes como Sociedade dos Poetas Mortos, Twister, Pach Adams, Magnólia, entre outros, que merecia uma película só dele). E ele arrasa ao compor o personagem, que por si só já era controverso para um país e uma época repressora como os anos 50.
Uma das cenas que mais me impressionou no filme, pela crueza, pelo som, não sei ao certo, foi a do estrangulamento de Perry, a fonte explorada-exploradora que Capote escolheu para colher as informações que precisava para escrever seu livro. O filme, na verdade, deveria ter o nome do livro e não do seu autor, já que ele está totalmente centrado na construção desse que foi a última obra completa que Capote escreveu antes de morrer devido a problemas com o álcool. Além desse, ele escreveu Bonequinha de luxo, que virou um clássico no cinema na interpretação de Audrey Hepburn.
O que filme tem de melhor é, sem sombra de dúvida, a interpretação de Hoffman, que está presente em quase todas as cenas. Já o que o torna mediano é a incapacidade de retratar melhor o escritor, de ter tramas paralelas. Tudo é apenas pincelado e acabamos saindo do cinema apenas com um esboço de todas os elementos paradoxias que formavam a personalidade de Capote.
Mesmo assim é uma boa pedida de filme, e se o Hoffman não levar o Oscar de melhor ator teremos mais uma prova de que premiações não servem para nada

Um comentário:

Ana Paula disse...

não precisa esperar até março. o oscar não serve pra porra nenhuma.

ops, desculpa. serve sim. pra gente provar o quanto o rubens ewald é um lixo.