quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A morte estava no banco 45



A dita cuja resolveu pegar um bronze em sua pele pálida e escolheu Capão da Canoa para se refestelar. O porquê disso ninguém sabe. O que eu sei e posso contar é que ela pegou carona de volta no ônibus da Unesul, que saiu no final da tarde de domingo da cidade litorânea em direção a Porto Alegre. Infelizmente, no mesmo busão que eu.
O capitalismo selvagem levou a empresa citada acima a colocar na estrada veículos sem a menor condição de trafegar só para não deixar para outros o lucro de transportar de volta ao bafão da capital a leva de pessoas que abandonaram a cidade na sexta de noite. A melhor definição para "aquilo" é uma lata velha sendo puxada por cachorros. O seu aspecto mais lembrava uma caixinha de fósforo, daquelas antigas que colecionadores guardam com tanto carinho. Além dos bancos que não baixavam e das janelas que mal abriam, durante toda a viagem fomos acompanhados por um barulho irritante que foi aumentando gradualmente até a chegada ao pedágio de Gravataí.
O barulho era tanto que dava a impressão de que estávamos dentro de uma panela de pressão prestes a explodir. A pressão sobre o motorista foi tanta que ele teve que parar e ver o que tava acontecendo. A conclusão lógica de todos: vamos descer e esperar outro veículo. Que nada! A empresa mandou o motorista seguir daquele jeito mesmo e azar do goleiro. Agora, com todos os passageiros em estado de alerta, a tensão cresceu dentro do ônibus. Para piorar tudo, quando faltavam uns 400 metros para entrar na rodoviária, a fumaça que saia do motor era tanta que os motoristas dos carros que passavam por nós, buzinavam, apontavam... e nada dessa loucura acabar.
Junte-se a sensação de frio na espinha com os gritos histéricos do pessoal do fundão que berrava pra parar o ônibus, que aquela bosta ia explodir. Nisso estava todo mundo de pé, no corredor (inclusive eu) esperando aquela maldita porta abrir. Para me deixar mais em pânico, olhei para as janelas e vi que o caco velho do nosso ônibus estava com todos os lacres de segurança quebrados. Em caso de merda geral, não teríamos por onde sair.
Subimos, aos trancos e barrancos, a lomba da rodoviária e em ponto morto paramos no box. A descida foi uma correria e um empurra-empurra. Não fiquei ali para ver o fogo pegar. Correi pra casa, tomei um copão de água e disse bem baixinho pra dona morte: ainda não foi dessa vez!

Um comentário:

Ana Paula disse...

ai, sua bosta. assustando os outros assim! boba feia.