quarta-feira, setembro 19, 2007

Alguém explica

o que está acontecendo com Porto Alegre? Quando foi a última vez que tivemos um grande show de música sem ser a preços realmente abusivos? Olha, eu lembro do Santana no Gigantinho, grande espetáculo, acústica podre. Ah, teve o Strokes também, que repetiu a mesma situação. Tirando o Rush e o Eric Clapton no Olímpico – e, veja bem, nem estou puxando a brasa pra minha sardinha por ser gremista –, realmente não lembro de nenhum BAITA show. Assim, com letras garrafais, em que a banda, o preço e o local – tudo assim juntinho – fossem perfeitos.
Daí, eu olho a propaganda na TV do Tim Festival e meus olhos brilham: Arctic Monkeys, Juliette and the Licks, Björk, The Killers. Mas, como alegria de pobre e provinciano dura pouco, descubro que só os endinheirados ou os que vivem em São Paulo, Rio e Curitiba poderão desfrutar desses espetáculos. APA!!! Se eu tivesse grana sobrando – e andar de avião fosse uma coisa confiavél em terras tupiniquins – eu não exitaria nem um segundo pra me mandar pra Sampa e poder dançar muito e ouvir esses caras – ouvir de verdade, com um som limpo, sem microfonia ou chiados ou ter que ficar grudada na caixa de som como sempre ocorre no Gigantinho.
O mais razoável seria ir a Curitiba, afinal seriam umas dez horas de bus. Porém, como não sou nada razoável e prefiro arder no mármore do inferno a ir a essa cidade, fico eu aqui chupando o dedo e morrendo de inveja de quem tem alternativas musicais, teatrais, cinematográficas e o diabo a quatro.
Somos tão orgulhosos de nós mesmo, os gaúchos, bradamos em alto e bom som o quanto somos um povoado rico culturalmente. Nesse mês, particularmente então, enchemos o peito pra nos vangloriarmos de ser gaúchos. Até parece que todos aqui andam a cavalo e se vestem de prenda. Isso me irrita ao limite. E, sim, dou a cara pra bater, me orgulho de ter nacido aqui, mas esses títulos que damos a nós mesmos já eram.
Cultura! Ora, temos Bienal, Feira do Livro e Porto Alegre em Cena, como se só isso falasse muito do nosso interesse pelas artes, quais quer que sejam elas. Sinceramente, queria ver se elas não fossem tão divulgadas na mídia (leia-se televisão) se esses eventos lotariam nos finais de semana. Contudo, esse texto era mais um desabafo pela falta de opções de lugares para receber grandes shows musicais. Até o Araújo Vianna com aquela cobertura prá lá de bagaceira já me servia se ele fosse uma opção para atrair bons espetáculos internacionais.
Eu nunca mais vou ter a chance de ver o Madre Deus tocar, isso porque quando eles estiveram na capital o ingresso naquele teatro lá onde o diabo perdeu as botas cobrou a bagatela de 200 pilas pela entrada. Vamos nos respeitar. Alguém que produz show sabe o valor do salário mínimo no país????
Dai, tu fica refém de uma meia dúzia de casa de show, se é que dá para chamá-las assim, fazem teatros em shoppings centers e nada resolve. Além de nada mais de interessante vir pra cá, quando eles aparecem são caréssimos. Então, putaqueopariu, eu quero poder ver um BAITA show sem ter que sair do meu estado. É pedir demais????

6 comentários:

Dany Darko disse...

Fui ver o Razorlight e o Iggy Pop esse final de semana em Paris (e mais um monte de bandas francesas que eu nao lembro o nome). 15 euros tudo. Vou ver a Nouvelle Vague em outubro. 20 euros. Ah, eu nao quero mais voltar!!!

Larissa Bohnenberger disse...

Nossa, quanta revolta...
Até te entendo, embora os show musicais que me interessem são geralmente nacionais, e de tempos em tempos aparecem por aqui (carérrimos, é óbvio). São poucos os shows internacionais que realmente me mobilizariam... enfim!
Mas realmente são poucos os lugares que temos por aqui com infra estrutura e acústica capazes de realizar um baita show. Revolta compartilhada, amiga Trevas!
Mas bah, tu não me fala mal do Rio Grande justo na semana Farroupilha, ô guria, que sou bairrista barbaridade e te pego la fora, no peitaço.
Eheheh!
Bjocas!

Tita Aragón disse...

Pior é ser fã incondicional do Cirque du Solei e não ser cliente prime do Bradesco pra comprar um igressozinho de 300 pilas... Sorry, Larissa, mas eu tenho que concordar com a Trevas.

Porto alegre é uma província que, quando traz espetáculos bons o preço é estratosférico e a gente tem que empenhar as calcinhas pra conseguir pagar. Fora a distância até o teatro do Sesi e a maravilhosa rede de transportes urbanos que NUNCA melhora por aqui.
Aí, como eu tô sempre contando os trocados na carteira e não posso me permitor um Cirque du Solei, espero chegar o final de semana pra dar minhas corridinhas, pegar um solzinho ou tomar um chimas ao ar livre. E o que acontece??? São Pedro sabota meus planos...
Proleta tem que tomar choque mesmo!

Larissa Bohnenberger disse...

Ah, com licença!
Tu acha que no resto do Brasil se assiste a bons espetáculos a preços de banana? Podem até ser mais freqüentes, mas o preço é o mesmo. A tua impossibilidade de assistir o Cirque Du Soleil permaneceria em São Paulo, Rio de Janeiro, ou qualquer outro lugar!

Tita Aragón disse...

Bom, talvez isso acontecesse mesmo com o Cirque du Solei, mas, em Sampa, por exemplo, as opções são tantas, que fica impossível assistir a todas. E os preços são bem mais acessíveis, COM CERTEZA!
Porto Alegre continua sendo uma província em termos culturais e de entretenimento.
E eu ganho mal pra cacete!

Trevas disse...

Dany, bah não precisava esnobar assim! hahaahaha

Larissa, eu adoro o meu estado e a minha cidade. Mas, não é por isso que vou fechar meus olhos e achar que tá tudo as mil maravilhas. Estamos virando uma decadência cultural, isso sim!

Carol, eu também queria ver o Cirque du Soleil. Quem sabe em outra vida!