quinta-feira, janeiro 25, 2007

Pelo menos no nome ele acertou



Babel se salva só pelo nome, que é a única coisa acertada no filme. Realmente, não há diálogo entre as histórias e personagens. Ninguém se entende, a história não flui. Diferente do excelente Amores Brutos e do, já mediano - mas bom, 21 gramas, Babel não disse a que veio. Intolerância, preconceito? Eu não vi nada na tela, além de muita chatice e um filme que não sabe quando acabar.
Sério, eu torci para vários personagens morrerem, pois pelo menos assim haveria alguma surpresa no roteiro, que é óbvio, apelativo e erra – e feio – ao tentar usar a mesma fórmula de histórias que parece que são independentes, mas você já sabe que em algum momento elas se encontram, nem que para isso precise de uma forçada na barra.
Mas o pior de tudo, olha que eu ainda nem comecei a detonar essa bosta que deve ser aclamada com o Oscar de melhor filme de 2007 (Morram vocês também dinossauros gagás da Academia), foi a cena insólita que presenciei em plena quarta-feira no Guion. Cinema, o qual, eu considerava o melhor da cidade. Socorro, onde irei ver filmes agora, no Cinemark onde as pessoas não calam a boca durante a projeção e não param de fazer barulho sugando a coca dez litros ou amassando o vigéssimo pacote de pipoca? Ok, desviei do assunto. A cena, pós-bomba do seu Alejandro González Iñárritu, foi uma salva de palmas de alguns espectadores da última sessão da noite de quarta-feira. Mas o que é isso? Bateram palmas exatamente para o quê?
Essa gente não vê noticiário, são tão alienadas assim que se chocam com cenas de crianças levando tiros? Ué, e eu que pensei que a gente vivia uma guerra civil em pleno Brasil. Acordem de sua letargia, caros senhores! Ahh, já sei, aplaudiram o fato do filme levar mais de duas horas e dos responsáveis pelo cinema terem desligado o ar condicionado meia hora antes de acabar Babel. Sim, nada melhor para um fim de noite que estar numa sala lotada cercada de pessoas derretendo. Claro, verão de Porto Alegre é fichinha de se agüentar, ainda mais numa sala sem ventilação qualquer e com as portas fechadas. Peraí, que eu ainda não acrescentei o detalhe mais impressionante dessa ida ao cinema: o casal sentado ao meu lado. A rica dupla não calou a boca durante o filme todo. E não adiantou dizer shhhhhhhhhhhhh, bufar, dizer eu não acredito ou chegar no meu limite da tolerância e dizer cala a boca. Não, não serviu para nada. Coitados, devia pensar eu, eles são dois néscios que precisavam repetir o que estavam vendo na tela pra entender o que acontecia. Entender? Acho que não...
Mas, voltando ao dito cujo Babel. Não sei o que acontece quando bons diretores são “descobertos” por Hollywood e entram para o mainstream. Eles perdem a mão. Erram na dose e se distanciam de suas próprias histórias. O roteiro e a direção estão tão perdidos que os dois atores mexicanos não convencem como personagens mexicanos!!! Como é que alguém pode errar tanto nas tintas ao retratar suas próprias raízes?
As tomadas são exageradamente longas. Longas e não acrescentam nada. O desespero da personagem mexicana caminhando no deserto é de doer. Não há cumplicidade entre ator e espectador. Tu não torce para ela se dar bem. Na real, queria mais que ela se ferrasse mesmo e que aquelas crianças com cara de otárias morressem desidratadas no meio do nada com coisa nenhuma. Aliás, outra que podia ter morrido e não faria diferença nenhuma é a personagem da Cate Blanche. E ainda to tentando entender o que o Brad Pitt tá fazendo no filme. Coitado, aquelas rugas deveriam ser de desgosto mesmo.
Porém, a única cena que me fez dizer: - ok, isso foi legal e me emocionou, foi entre o Pitt e o ator marroquinho, quando esse se recusa a pegar os dólares dos americanos. Ali há um resto de dignidade. Mais um aliás, o casal feito pelo Brad Pitt e a Cate Blanche deveriam ter ido fazer terapia e não a uma viagem ao Marrocos. Muito drama para pouca história.
No final das contas, para mim, a única coisa que valeu a ida ao Guion (além do preço mais barato nas quartas. Vai ver que é mais barato porque eles desligam o ar) foi a parte que acontece no Japão. A surda-muda louca foi a mais expressiva de todo o filme. O cenário enche os olhos e a maluquice daqueles jovens te conquista pela crueldade, crueza e realismo das relações.
Enfim, Babel frustrou todas as minhas expectativas. Muita pretensão para pouco conteúdo. Acho que esse é o problema, espero de mais de um filme e ele sempre me deixa com sensação de quero mais. Pelo que eu me lembre o único que foi além do que eu esperava é Invasões Bárbaras. Para ver, rever, ver de novo. Já Babel, vai para a lista de blockbuster e os mais locados. Eu fora!

4 comentários:

Sombria disse...

putz, eu tava tri afim de ver o filme... e agora estou mais! nem que seja só pra polemizar!!! : )
Desculpinhas pela ausencia... Qq dia pipoca um textinho meu por aí!! Bjos

Cavernosa disse...

cabe ressaltar que o filme não mais irá para as prateleiras da blockbuster, e sim da Americanas!
hahahahahahahahahahaha

igualmente a minha amiga sombria, peço desculpas pela ausência e também fiquei com mais vontade de ver babel. afinal, mesmo o filme sendo uma porcaria (segundo a oposição pinkie-blackiana), para ver o mister jolie vale qq coisa!

bjo bjo bjo

Trevas disse...

Mas quem é vivo sempre aparece, mesmo que seja no Morte. Dããããããã
Isso ai gurias, vão ver pra gente poder polemizar.
Bjs, saudades de vocês.
ESCREVAM!

Tita Aragón disse...

Well, well... como adoro subverter, eu adorei Babel!
Tipo tamancada no rim, mas no meu próprio, pela leitura que eu faço do mundo e das pessoas.
Acho que há diálogo entre os personagens, sim (sorry, Pink Trevosa), com uma puta crítica velada ao ocidente (leia-se Estados Unidos), na intolerância dos patrulheiros na fronteira com o México, na solidariedade do muçulmano que oferece ajuda para os Jones, na vida complicada da japinha adolescente surda-muda, na relação do pai marroquino com os filhos, o carinho e o cuidado da babá mexicana com as crianças...
Sei lá, posso não entender nada de cinema (e não entendo mesmo), mas na minha opinião, Babel só teve essa deferência toda da Academy Awards, porque mostra como o 'resto' do mundo percebe o 'autismo-onanista' do Bush depois do 11 de setembro.
Isso foio que eu senti.
E agora, vou correndo para as Americanas comprar o meu dvd do Babel!