segunda-feira, abril 03, 2006

Perdeu a mão


Woody Allen não é mais o mesmo. O alvoroço feito em torno de Macth Point, que seria um "novo " Allen, não se justifica. Fui ver o filme ontem cheia de boas expectativas, pois depois dos fracos de os Trapaceiros e o Escorpião de Jade, o diretor setentão tinha se recuperado e voltado ao diálogos ágeis e inteligentes em Dirigindo no Escuro, uma espécie de metalinguagem cinematográfica (o diretor que filma um diretor que não consegue filmar). Não há nada de Allen no seu novo filme. Não há o humor, os diálogos cortantes, a esquizofrenia, nada.

Ao usar Londres e sua burguesia pedante como pano de fundo para uma história que lembra (superficialmente) Crime e Castigo de Dostoiévski - a referência é tão óbvia que ele coloca um de seus atores lendo o livro no começo da história –, Allen tentou ser europeu ao usar tomadas longas e imprimir um ritmo mais lento a história. Mais uma vez, deu tudo errado. O filme é devagar demais, poderia ser todo ele contado em 15 minutos. Nem o princípio básico do cinema estava lá: não há conflito. Como não? Podem perguntar alguns dos que passam por aqui. Não tem, a história é tão óbvia que é possível saber o final logo no seu começo. Nada é mais deprimente para um diretor do que ter sua história decifrada nos primeiros minutos.

Os personagens, sempre tão bem explorados pelo diretor, também são frágeis na sua composição. Eles são o que são, sem meandros, sem tramas paralelas, sem conflitos, sem dramas. E nem mesmo a culpa e o tormento são explorados pelo mestre que já fez a Rosa Púrpura do Cairo, Desconstruindo Harry, Hanna e Suas Irmãs e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. O roteiro também é simplório, pois poderia ser simples e ser bem feito, mas nem isso. Enfim, decepcionante. Nem mesmo a comédia-musical-romântica Todos Dizem eu Te Amo é tão entediante.

Um comentário:

Tita Aragón disse...

Pobre Allen... envelhecer é phoda...