sexta-feira, março 10, 2006

Coisificação do Nada

Essa não aconteceu comigo, mas a história é tão boa que merece um post. Uma amiga minha resolveu, depois dos 30, que era a hora de realizar uma vontade antiga: fazer Filosofia. Como se a vida já não fosse o suficientemente complicada, ela decidiu que agora era o momento de entender o que Nietzsche quis dizer. Macaca velha e safa que é, foi para a primeira aula como uma CDF de carteirinha, com canetinhas coloridas, caderno novo e, óbvio, sentou na primeira cadeira, quase no colo do professor.
Hiperativa como só ela consegue ser, mal começou a exposição do convidado – um professor italiano – que falava sobre assuntos viagem como a coisificação do nada e a quantificação do tudo, acho que algo assim, e lá estava ela fazendo mil perguntas, tentando captar a essência de seus mais novos mestres. Mas, como dizem que tudo na filosofia é meio pirado, lá pelas tantas os colegas começam a sair e entrar da sala sem muita cerimônia, a atender os celulares que não paravam de tocar, e o professor – já puto com tudo – mandou trancar a porta da sala. No melhor estilo – ninguém entra, ninguém sai. Nessa altura, minha amiga já estava pulando da cadeira de nervosa. Entretanto, o pseudo-ataque cardíaco ocorreu quase em seguida, quando um colega do fundão levantou e começou a questionar o "ilustre convidado" sobre o que ele achava de Nietzsche. – Ele não entendeu nada!, foi a resposta. Ok, então o que eu tô fazendo aqui, pois se o alemão não captou a mensagem, o que me resta?!?!?!?!
A situação piora ainda mais, quando o mesmo cara do fundão começa a xingar o cara e parte pra cima dos professores, numa tentativa de mostrar o que Nietzsche quis dizer mais de perto. Minha amiga já tava de pé, sem saber se apartava a briga ou saia correndo pela porta (que aliás continuava trancada), quando de repente todos caem na gargalhada e a farsa se encerra. Na melhor demonstração de que nem tudo o que a gente vê é aquilo mesmo ou que a realidade, dependendo da percepção, não é real (pirei junto na divagação sobre o tudo e o nada).
Era tudo um trote dos veteranos, não havia coisificação do nada, nem professor italiano e muito menos uma revolta contra a dominação estrangeira. Nota mil pra criatividade dos caras. Minha amiga, enfim, acabou o dia me ligando para contar a sua aventura. Nada como umas boas gargalhadas para acabar um dia punk.

3 comentários:

Sombria disse...

hahahaha... muito bom! viva o trote criativo! ( bateu saudade dos tempos de bixo!)

Ana Paula disse...

a-pos-to que essa saracoteira bixo de filô tem um nome com G.

Tita Aragón disse...

Pior que eu sou fã do alemão bigodudo!