sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mortos-vivos

Eles estão por todo o lugar. Às vezes contrariam a imagem maltrapilha que estamos acostumados a ver nos filmes, mas a verdade é que com freqüência somos assombrados por mortos-vivos. Não é difícil identificá-los, em geral, eles manifestam sua condição com as expressões: tenho que, preciso, é a minha obrigação, hoje não, amanhã também não, talvez na próxima encarnação. Eles não tem sonhos, não tem objetivos, não amam nem odeiam, são indiferentes e inexpressivos, são pessoas (?) que cumprem as coisas para as quais foram designadas, mas que nada acrescentam ou questionam. Sim, você já conheceu alguém assim... Tenho medo destas criaturas, porque acredito que muitas delas têm grande potencial para se transformarem em serial-killers (o que, por pior que pareça a observação, torna e vida delas menos ordinária), mas acima de tudo tenho medo de me transformar em alguém assim, mesmo que só por alguns momentos. Porque, em sua forma branda, o estado morto-vivo atinge os indivíduos através da falta de motivação, da preguiça de se fazer o que realmente se quer, do comodismo de se aceitar a primeira proposta que nos fazem, da ausência de reflexão e de indignação... E viver por inércia não é viver, é só “estar” vivo, quase que por acaso, como se a morte estivesse esquecido de nos buscar... Porque, como diz uma daquelas frases de filosofia de botequim, pior que morrer é não ter vivido.

Um comentário:

Tita Aragón disse...

Bah, que medo... eu não quero ser um zumbi, mas conheço vários...